Negociar o reajuste do plano de saúde com a operadora é um direito garantido ao consumidor brasileiro, mas poucos sabem como exercê-lo de forma eficaz. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) regula os percentuais máximos de reajuste para planos individuais e familiares, e qualquer cobrança acima desse limite pode ser contestada.

Neste guia atualizado para 2026, você aprende o passo a passo completo para negociar seu reajuste com segurança, desde a coleta de documentos até o registro de reclamações em órgãos de defesa do consumidor.

Quem se prepara antes de ligar para a operadora tem muito mais chances de obter redução ou benefício na renovação do plano de saúde.

Índice do conteúdo

O que é o reajuste do plano de saúde?

O reajuste do plano de saúde é o aumento periódico do valor da mensalidade, autorizado pela ANS ou negociado diretamente entre operadoras e empresas contratantes. Para planos individuais e familiares, a ANS define um percentual máximo anual que todas as operadoras devem respeitar. Para planos coletivos empresariais e por adesão, o reajuste é negociado livremente entre as partes, mas ainda segue parâmetros do mercado e do setor regulado.

Por que os planos são reajustados anualmente?

O aumento anual existe porque os custos médicos e hospitalares crescem mais rápido que a inflação geral. O envelhecimento da carteira de beneficiários, o uso maior de procedimentos de alta complexidade, o custo de medicamentos e a incorporação de novas tecnologias médicas são fatores que justificam a revisão dos preços. Além disso, variações nos custos de sinistros — consultas, exames e internações efetivamente realizados — impactam diretamente o cálculo dos reajustes coletivos.

Índices de reajuste para 2026

Para planos individuais e familiares, a ANS define anualmente o percentual máximo permitido. Em 2025, o teto foi de 6,91% para planos individuais e familiares, beneficiando cerca de 8 milhões de beneficiários. Para 2026, o índice será definido pela ANS ao longo do ano — acompanhe sempre o site oficial da agência para o valor atualizado.

Já os planos coletivos têm dinâmica diferente: em 2025, o reajuste médio aplicado aos contratos coletivos foi de 13,80%, segundo dados oficiais da ANS. Contratos com menos de 30 vidas pagaram, em média, 14,81%, enquanto os com 30 ou mais vidas tiveram reajuste médio de 9,95%. Planos odontológicos registraram alta média de apenas 3,68%.

Como identificar se o reajuste é abusivo?

Para planos individuais e familiares, qualquer reajuste acima do teto definido pela ANS é inválido. Para planos coletivos, a análise é mais complexa, mas há sinais de alerta que merecem atenção:

  • Percentual muito acima da média publicada pela ANS para contratos coletivos similares.
  • Reajuste sem comunicação prévia por escrito — a operadora é obrigada a avisar com antecedência.
  • Cobrança retroativa de valores não comunicados anteriormente.
  • Acúmulo de reajustes sem justificativa clara baseada em variação de sinistros.

Em caso de dúvida, consulte a ouvidoria da operadora e, se necessário, acione a ANS pelo telefone 0800 701 9656, disponível de segunda a sexta-feira.

Passo a passo para negociar o reajuste

A negociação bem-sucedida começa com preparação. Siga estas etapas para maximizar suas chances de obter condições melhores:

  1. Reúna os documentos. Tenha o contrato do plano, os últimos boletos, o comunicado de reajuste e os índices máximos da ANS para o seu tipo de plano. Documentação é o alicerce da negociação.
  2. Confira o percentual aplicado. Compare o reajuste cobrado com o teto autorizado pela ANS. Para planos individuais, qualquer percentual acima do limite é ilegal e pode ser contestado.
  3. Solicite detalhamento por escrito. Você tem direito de saber exatamente como o reajuste foi calculado. Peça à operadora o cálculo detalhado com memória de cálculo e justificativas.
  4. Pesquise alternativas de mercado. Com mais de 4.600 planos ativos no mercado brasileiro, simule cotações em nossa plataforma de comparação de planos antes de negociar. Ter uma proposta concorrente em mãos fortalece sua posição.
  5. Acesse o SAC ou portal do cliente. Registre sua contestação por escrito, preferencialmente por e-mail ou chat do portal. Isso garante documentação da tentativa de negociação.
  6. Peça alternativas de produto. Muitas operadoras oferecem migração para plano equivalente com mensalidade menor, mudança de tipo de acomodação ou ajuste de coparticipação. Questione todas as opções disponíveis.
  7. Escale para a ouvidoria. Se o SAC não resolver, solicite atendimento pela ouvidoria da operadora, que tem prazo legal para resposta e maior poder de decisão.

O que fazer se a operadora recusar a negociação?

Se a operadora mantiver o reajuste sem aceitar negociação, o consumidor tem três caminhos eficazes:

  • ANS: registre reclamação no portal oficial ou ligue no 0800 701 9656. A agência fiscaliza o cumprimento das regras de reajuste e pode autuar operadoras que descumprirem a legislação.
  • Procon: proteja seus direitos no Procon do seu estado. O órgão pode mediar o conflito e aplicar multas à operadora pelo descumprimento do Código de Defesa do Consumidor.
  • Juizado Especial Cível: para valores até 40 salários mínimos, é possível ingressar sem advogado. Casos de reajuste abusivo têm boa taxa de êxito judicial, especialmente quando há documentação da tentativa de negociação.

Em qualquer dos caminhos, guarde todos os protocolos, e-mails e respostas recebidas. Essa documentação é fundamental para embasar a reclamação e demonstrar boa-fé na tentativa de resolução extrajudicial.

Portabilidade de carências como alternativa

Se o reajuste for realmente inviável e a negociação não avançar, a portabilidade de carências é uma saída inteligente. Com ela, o beneficiário pode migrar para outra operadora sem cumprir novas carências, desde que atenda às seguintes condições:

  • Tenha cumprido integralmente as carências no plano atual.
  • Não tenha interrompido a cobertura por mais de 30 dias consecutivos.
  • Migre para um plano de segmentação e cobertura equivalente ou superior.

A portabilidade é regulada pela Resolução Normativa ANS nº 438/2018. Para avaliar as opções disponíveis e verificar se seu contrato é elegível, consulte um especialista em planos de saúde ou acesse diretamente o portal da ANS.

Como registrar reclamação na ANS?

O canal oficial de reclamações da ANS é o Disque ANS (0800 701 9656), disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h. Alternativamente, você pode registrar reclamações online pelo portal gov.br/ans. O prazo médio de resposta da ANS para reclamações é de 5 dias úteis para casos urgentes e 30 dias úteis para os demais. Ao registrar:

  • Informe o número de registro ANS da operadora (está no seu cartão do plano).
  • Descreva o problema com clareza e anexe documentos comprobatórios.
  • Guarde o número do protocolo para acompanhar o andamento da reclamação.

A ANS pode determinar que a operadora corrija o reajuste indevido e ainda aplicar sanções administrativas em caso de descumprimento.

Comparativo de reajustes por tipo de plano (2025)

A tabela abaixo resume os índices de reajuste aplicados em 2025, por tipo de plano, com base nos dados oficiais da ANS:

Tipo de plano Reajuste 2025 Quem define Pode contestar?
Individual/familiar Até 6,91% (teto ANS) ANS Sim, se acima do teto
Coletivo empresarial (<30 vidas) 14,81% (média) Operadora + empresa Via negociação ou portabilidade
Coletivo empresarial (30+ vidas) 9,95% (média) Operadora + empresa Via negociação ou portabilidade
Coletivo por adesão 13,80% (média geral) Operadora + entidade Via negociação ou portabilidade
Odontológico 3,68% (média) ANS / negociação Sim, se acima do autorizado

Fonte: ANS — Agência Nacional de Saúde Suplementar. Dados referentes ao período de reajuste de 2025.

Perguntas frequentes

O reajuste do plano de saúde é obrigatório?

Para planos individuais, o reajuste é autorizado anualmente pela ANS, mas o consumidor pode contestar qualquer percentual acima do teto regulatório. Para planos coletivos, o contrato define as regras de reajuste, mas o beneficiário pode negociar ou migrar de plano via portabilidade de carências quando o aumento for inviável.

O que é o teto de reajuste da ANS?

O teto de reajuste da ANS é o percentual máximo que operadoras de planos individuais e familiares podem aplicar nas mensalidades em um determinado período. Em 2025, esse limite foi de 6,91%. Qualquer cobrança acima desse valor para planos individuais é ilegal e pode ser contestada diretamente com a operadora ou junto à ANS.

Como saber se meu plano é individual ou coletivo?

Verifique seu contrato ou a carteirinha do plano. Planos individuais são contratados diretamente com a operadora, sem vínculo empregatício ou associativo. Planos coletivos empresariais são oferecidos por empregadores, e planos coletivos por adesão são vinculados a sindicatos, associações ou conselhos profissionais. O tipo de contratação determina quais regras de reajuste se aplicam.

Posso recusar o reajuste e manter o plano?

Para planos individuais, se o reajuste aplicado for superior ao teto da ANS, você pode contestá-lo formalmente e a operadora é obrigada a corrigir. Se o reajuste estiver dentro do limite legal, a operadora pode aplicá-lo normalmente. Nesse caso, as alternativas são negociar condições diferentes — como mudança de cobertura ou tipo de acomodação — ou acionar a portabilidade de carências.

Qual o prazo para contestar um reajuste?

Não há prazo fixo definido em lei para a contestação. O recomendado é agir imediatamente após receber o comunicado do reajuste, antes que o novo valor entre em vigência. Quanto mais cedo você contestar, mais tempo tem para negociar ou buscar alternativas no mercado. Porém, mesmo reajustes já cobrados podem ser questionados retroativamente se houver irregularidade.

A operadora pode cancelar meu plano se eu contestar o reajuste?

Não. A contestação de um reajuste abusivo é um direito do consumidor e não autoriza a operadora a cancelar unilateralmente o plano individual. Cancelamentos unilaterais por operadoras de planos individuais são proibidos pela ANS, exceto em casos de inadimplência comprovada. Qualquer tentativa de cancelamento nesse contexto é passível de reclamação formal à agência reguladora.

Como funciona a portabilidade de carências?

A portabilidade de carências permite trocar de operadora sem cumprir novamente os períodos de carência, desde que o beneficiário já tenha cumprido as carências no plano atual, não tenha interrompido a cobertura por mais de 30 dias e migre para um plano de cobertura equivalente. É regulada pela Resolução Normativa ANS nº 438/2018 e é uma excelente alternativa quando o reajuste torna o plano atual financeiramente inviável.

Quais operadoras têm melhor avaliação pela ANS?

A ANS avalia operadoras em uma escala de 0 a 10, considerando indicadores de qualidade e reclamações. Entre as operadoras com melhor nota disponíveis no mercado estão Bradesco Saúde (9,6), Amil (9,0), Porto Seguro (9,0) e Notre Dame Intermédica (8,6). Operadoras com boas notas ANS tendem a ter processos de negociação mais transparentes e menor índice de reclamações por parte dos beneficiários.

Vale a pena trocar de plano por causa do reajuste?

Depende do perfil do beneficiário e das condições do plano atual. Se o reajuste for expressivamente maior que a média do mercado, se a rede credenciada for pequena ou se a avaliação ANS for baixa, pode valer a pena comparar alternativas. Com mais de 4.600 planos ativos em todo o Brasil, há opções competitivas para diferentes perfis e regiões. Compare gratuitamente em nossa plataforma de planos de saúde.

Conclusão: negocie com informação e proteja seu bolso

Negociar o reajuste do plano de saúde é um direito e, com a preparação certa, é perfeitamente viável. Reúna os documentos necessários, conheça os índices regulatórios da ANS, registre toda a negociação por escrito e não hesite em acionar a ouvidoria ou órgãos de defesa do consumidor se necessário. Se a negociação não avançar, a portabilidade de carências pode ser a solução para manter a cobertura com um custo mais justo.

Para comparar as melhores opções disponíveis na sua região e contar com a orientação de especialistas, solicite uma cotação gratuita na I LOVE SAÚDE. Nossa equipe ajuda você a encontrar o plano ideal para o seu perfil e orçamento.